Favelados avisam: ‘Vamos invadir e revirar os aviões dos militares atrás dos traficantes’

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Operações surpresas com revista completa de aeronaves e tripulantes estão no cronograma de ação, que acontece até 25 de agosto. Comunidade garante que nem avião presidencial será poupado

Por Tácio Brito

Moradores das favelas cariocas se preparam para uma grande operação contra as drogas. Prevista para os próximos dias, o objetivo da ação popular é coibir o tráfico de armas e drogas dentro de aviões militares brasileiros. Um Plano de Combate ao Tráfico Miliciano foi desenvolvido pelas comunidades e agora será colocado em prática. “Todos sabemos que as armas e drogas estão lá, mas ninguém tem coragem de invadir. Não podemos aceitar que crimes assim ocorram com a maior naturalidade. A tolerância acabou. Nós vamos invadir e arrancar os traficantes de lá”, disse um dos líderes comunitários envolvido na elaboração do plano.

Entre outras ações, o Plano prevê revistas periódicas às aeronaves da Força Aérea, principalmente aquelas utilizadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seus filhos. Em uma revista da polícia espanhola, um militar da comitiva do presidente foi preso na última segunda-feira (25) com 39 quilos de cocaína transportados dentro de uma mala, em um dos aviões que levava Jair Bolsonaro para o encontro do G20 no Japão. “Nossa comunidade está apreensiva com uma possível crise diplomática gerada pelo avião do presidencial”, preocupou-se a presidente de bairro Maria Aparecida.

Militares ouvidos por nossa reportagem reclamam de excessos praticados pelos moradores durante as revistas. “Eles barbarizam geral. Chegam aqui, nem pedem nossa CIM [Carteira de Identidade Militar] e já vão batendo em todo mundo. Nós somos trabalhadores. Aqui não tem vagabundo”, denunciou um militar que preferiu não se identificar. Segundo o líder comunitário José da Silva, está sendo montada uma comissão de moradores para investigar os possíveis abusos em operações contra o tráfico praticado por militares e milicianos. “Nós não vamos admitir os excessos praticados pelos moradores. Militar também é gente e merece respeito. Fica aqui nossa solidariedade àqueles que se sentiram violentados”, completou José.

As operações de Combate ao Tráfico Miliciano seguem diuturnamente nos próximos dois meses, até o dia 25 de agosto, quando se comemora o Dia do Soldado. Após breve período de pausa, uma segunda operação terá início no mês seguinte, depois das comemorações do 7 de Setembro.

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